Excelência e humanização no cuidado com a saúde mental em Canoas.
O transtorno do jogo — seja o jogo patológico (apostas) ou o transtorno de jogos digitais — é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como uma condição de saúde mental que requer avaliação e tratamento especializado.
O transtorno do jogo compreende duas condições distintas, porém relacionadas, reconhecidas pelas principais classificações internacionais de saúde mental:
A base neurobiológica do transtorno do jogo envolve os mesmos circuitos de recompensa afetados pelas dependências químicas. O sistema dopaminérgico mesolímbico — especialmente o núcleo accumbens e o córtex pré-frontal — responde ao estímulo do jogo de forma análoga à resposta a substâncias psicoativas.
Estudos de neuroimagem demonstram que indivíduos com transtorno do jogo apresentam hipofunção do sistema de recompensa em repouso e hipersensibilidade a estímulos relacionados ao jogo, resultando em craving (fissura), tolerância e perda de controle — características partilhadas com as adicções por substâncias.
Fatores genéticos respondem por cerca de 50% da vulnerabilidade individual, com evidências de polimorfismos nos genes dos receptores dopaminérgicos (DRD2, DRD4) e serotoninérgicos (5-HTT).
Segundo o DSM-5, o diagnóstico do transtorno do jogo patológico exige quatro ou mais dos seguintes critérios nos últimos 12 meses:
O transtorno do jogo raramente ocorre de forma isolada. Estudos epidemiológicos mostram que até 96% dos indivíduos com esse diagnóstico apresentam ao menos uma comorbidade psiquiátrica ao longo da vida:
A avaliação psiquiátrica é, portanto, indispensável para identificar e tratar adequadamente todas as condições presentes, pois o tratamento isolado do comportamento de jogo, sem abordar as comorbidades, apresenta taxas de recaída muito elevadas.
O tratamento do transtorno do jogo é multidimensional e deve ser individualizado. As abordagens com maior evidência científica incluem:
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é considerada o tratamento psicológico de primeira linha, com evidências robustas de eficácia. Foca na identificação e modificação de crenças distorcidas sobre o jogo (como a "ilusão de controle" e o "pensamento mágico"), no desenvolvimento de estratégias de enfrentamento e na prevenção de recaídas.
Embora não haja medicamento aprovado especificamente para o transtorno do jogo, as seguintes classes apresentam evidências de eficácia:
Grupos de autoajuda como os Jogadores Anônimos (JA), baseados no modelo dos 12 passos, são recursos complementares importantes. A reabilitação psicossocial, incluindo suporte financeiro e familiar, é componente essencial do plano terapêutico.
Atenção: Se o comportamento de jogar está causando problemas financeiros, relacionais ou emocionais na sua vida, busque avaliação especializada. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado fazem diferença significativa no prognóstico.
Este texto tem caráter informativo e educativo. Não substitui a consulta médica. Para avaliação e tratamento individualizado, agende uma consulta.
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