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Demências

Excelência e humanização no cuidado com a saúde mental em Canoas.

Diagnóstico e tratamento das demências

As demências são transtornos neurocognitivos progressivos que afetam memória, linguagem, raciocínio e outras funções cognitivas, comprometendo a independência e a qualidade de vida. O diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado são fundamentais para preservar a autonomia do paciente e orientar familiares e cuidadores.

Demências - Dr. Wheber Zampirollo

O que são as demências?

O termo demência refere-se a uma síndrome clínica caracterizada pelo declínio progressivo de múltiplas funções cognitivas — memória, atenção, linguagem, funções executivas, capacidade visuoespacial — em grau suficiente para interferir na vida diária e na autonomia do indivíduo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 55 milhões de pessoas vivem com demência no mundo, com cerca de 10 milhões de novos casos por ano. No Brasil, estima-se que cerca de 1,7 milhão de pessoas sejam afetadas, número que tende a triplicar até 2050 em função do envelhecimento populacional.

A demência não é consequência inevitável do envelhecimento normal. É uma condição médica com causas identificáveis, passível de diagnóstico e de manejo especializado.

Principais tipos de demência

Doença de Alzheimer

É a causa mais comum, responsável por 60 a 80% dos casos. Caracteriza-se pelo acúmulo progressivo de proteínas beta-amiloide (placas senis) e tau (emaranhados neurofibrilares) no tecido cerebral, levando à morte neuronal. O comprometimento da memória episódica recente é geralmente o sintoma inaugural mais evidente.

Demência vascular

Segunda causa mais frequente, resultante de lesões cerebrovasculares — isquêmicas ou hemorrágicas. A evolução tende a ser em degraus, com pioras súbitas associadas a novos eventos vasculares. O controle rigoroso dos fatores de risco cardiovascular (hipertensão, diabetes, tabagismo, dislipidemia) é a principal estratégia de prevenção.

Demência com corpos de Lewy

Caracterizada pelo acúmulo de proteína alfa-sinucleína (corpos de Lewy) nos neurônios. Apresenta quadro clínico com flutuações cognitivas, alucinações visuais vívidas e recorrentes, parkinsonismo e distúrbio comportamental do sono REM. Requer atenção especial na farmacoterapia, pois neurolépticos convencionais podem desencadear reações graves.

Demência frontotemporal

Afeta predominantemente lobos frontais e temporais. Manifesta-se principalmente por alterações de comportamento e personalidade (variante comportamental) ou por déficits de linguagem (afasias progressivas primárias). Acomete frequentemente pessoas entre 45 e 65 anos, sendo importante causa de demência de início precoce.

Doença de Parkinson com demência

Cerca de 80% dos pacientes com doença de Parkinson evoluem para demência ao longo de 20 anos. Comprometimento das funções executivas, atenção e memória de trabalho são características proeminentes.

Sinais de alerta: quando buscar avaliação

A Associação de Alzheimer Internacional elenca os seguintes sinais que justificam busca por avaliação especializada:

  • Perda de memória que interfere na vida cotidiana (especialmente de eventos recentes)
  • Dificuldade em planejar ou resolver problemas habituais
  • Dificuldade em realizar tarefas familiares (cozinhar, dirigir, lidar com finanças)
  • Confusão com tempo ou lugar
  • Dificuldade em compreender imagens e relações espaciais
  • Problemas novos com palavras na fala ou escrita
  • Colocar objetos em lugares inapropriados e não conseguir refazer os passos
  • Diminuição ou perda do julgamento
  • Afastamento das atividades sociais ou profissionais
  • Mudanças de humor e personalidade (ansiedade, depressão, suspeição, agitação)

O papel da psiquiatria no manejo das demências

O psiquiatra desempenha papel central no cuidado integral das demências, especialmente no manejo dos sintomas neuropsiquiátricos — que acometem mais de 90% dos pacientes ao longo da evolução da doença e são a principal causa de sobrecarga dos cuidadores e de internações:

  • Agitação e agressividade: avaliação de causas subjacentes (dor, infecção, desconforto ambiental) e intervenção farmacológica criteriosa
  • Depressão e ansiedade: frequentes nas fases iniciais e intermediárias, com impacto significativo na qualidade de vida
  • Psicose: delírios (frequentemente paranoides) e alucinações, particularmente na demência com corpos de Lewy
  • Distúrbios do sono: inversão do ciclo sono-vigília, distúrbio comportamental do sono REM
  • Apatia: sintoma mais prevalente nas demências, frequentemente confundido com depressão

Diagnóstico

A avaliação diagnóstica inclui:

  • Anamnese detalhada com o paciente e informante confiável
  • Avaliação neuropsicológica (testes cognitivos padronizados: MEEM, MoCA, Bateria Cognitiva)
  • Exames laboratoriais para afastar causas reversíveis (hipotireoidismo, déficit de B12, sífilis, HIV)
  • Neuroimagem estrutural (TC ou RM de crânio)
  • Em casos selecionados: biomarcadores no líquor, PET-scan amiloide ou FDG-PET

Tratamento

Embora não existam tratamentos curativos para a maioria das demências, as intervenções disponíveis podem retardar a progressão, melhorar a qualidade de vida e reduzir a sobrecarga dos cuidadores.

Farmacoterapia cognitiva

  • Inibidores da acetilcolinesterase (donepezila, rivastigmina, galantamina): indicados para Alzheimer de grau leve a moderado e para demência com corpos de Lewy; melhoram modestamente a cognição e o comportamento
  • Memantina: antagonista do receptor NMDA, indicado para Alzheimer moderado a grave; pode ser associada aos inibidores da acetilcolinesterase
  • Anticorpos anti-amiloide (lecanemabe, donanemabe): aprovados nos EUA para Alzheimer em fase inicial; representam avanço significativo na modificação da progressão da doença

Intervenções não farmacológicas

Estimulação cognitiva, musicoterapia, arteterapia, atividade física adaptada e orientação para cuidadores são componentes essenciais do plano terapêutico. A abordagem multidisciplinar (psiquiatria, neurologia, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional) oferece os melhores resultados.

Para familiares e cuidadores: O suporte psicológico e educacional aos cuidadores é parte fundamental do tratamento. O Dr. Wheber Zampirollo orienta famílias sobre estratégias de comunicação, segurança domiciliar e autocuidado do cuidador.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde. Global Status Report on the Public Health Response to Dementia. Genebra: OMS; 2021.
  • American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th ed. (DSM-5). Washington, DC: APA; 2013.
  • Knopman DS, et al. Alzheimer disease. Nature Reviews Disease Primers. 2021;7(1):33.
  • Associação Brasileira de Neurologia. Diretrizes para o Diagnóstico e Tratamento da Doença de Alzheimer. São Paulo: ABN; 2022.
  • Van der Flier WM, Skoog I, Schneider JA, et al. Vascular cognitive impairment. Nature Reviews Disease Primers. 2018;4:18003.

Este texto tem caráter informativo e educativo. Não substitui a consulta médica. Para avaliação e tratamento individualizado, agende uma consulta.

Dr. Wheber Zampirollo

Dr. Wheber Zampirollo

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